Alexandre Becker

MALE – Lab Pour Homme

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Alexandre Becker

Foi em uma viagem ao Marrocos, que o simpático e empreendedor mestre em psicologia forense, o gaúcho Alexandre Becker Vieira, resolveu fundar a MALE – Lab Pour Homme, marca brasileira especializada em cuidados masculinos e, claro, fragrâncias! Acompanhe nosso rápido bate-papo!

A ideia de criar a Male Lab a partir da sua experiência numa barbearia do Marrocos é sensacional! Você poderia contar essa história?
Então, eu estava numa viagem de alguns meses pela Europa e acabei esticando a perna das bandas da Andaluzia pro Marrocos, que sempre foi um sonho. Me hospedei num riad, em Marraquexe, e me esbaldava perambulando pela medina. Como já estava há um bom tempo pela estrada, estava barbudo demais, cabeludo demais e precisava dar um jeito nisso. Numa dessas caminhadas, vi uma barbearia muito antiga e tradicional numa viela qualquer e decidi entrar e pedir um tapa no visual, basicamente por mímicas! E foi ali que a ficha caiu: eu jamais tinha sido tratado daquela maneira, com tanto cuidado, com serviços tão específicos, com tanta excelência e, sobretudo, com tantos produtos disponíveis pro cuidado com a aparência do homem. Era toda uma sorte de óleos, cremes, espumas, navalhas, cheiros, massagem nos pés… eu fiquei louco e voltei com essa ideia fixa pro Brasil. Precisava criar e desenvolver uma linha de produtos que atendesse essa demanda.

A partir daí, como foi o processo? Você já trazia alguma relação ou experiência com o mercado de HPPC (higiene pessoal, perfumaria e cosméticos)?
A partir daí, eu fiz contato com a SBC (Sociedade Brasileira de Cosmetologia) e busquei orientação sobre esse mercado. Encontrei o laboratório ideal, que atendeu às minhas exigências e compreendeu meu conceito, e comecei a desenvolver toda a linha de cosméticos em parceria com eles. A coluna vertebral da coisa toda parte de mim, e eles lapidam com a técnica laboratorial, química e farmacêutica.
Na verdade, a minha formação profissional é absolutamente distante de tudo que imaginam, eu sou criminólogo, e era professor de psicologia forense na FFFCMPA (Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre). Paralelamente a essa carreira acadêmica, eu sempre guardei um interesse enorme por cosméticos e pela mágica da perfumaria, mas não passava de uma paixão. Fiz alguns cursos, participava de alguns grupos de debate etc. Depois que vi nesse mundo uma oportunidade de mudar o rumo da minha trajetória de vida, de dar vazão a um lado mais criativo e leve, de expressar outras sensibilidades; e também de negócio. Resolvi voltar todas as minhas energias nessa direção e, durante um ano, me dediquei à estruturação da marca, ao desenvolvimento da linha e a encontrar os melhores fornecedores.

Você é quem concebe, desenha e executa pessoalmente todos os produtos? Inclusive as colônias?
A concepção dos cosméticos e das colônias é minha, o desenvolvimento dos cosméticos é feito em parceria com uma farmacêutica, uma engenheira química, e testado em grupos de clientes. A execução é feita pelo laboratório, na Serra Gaúcha.

Percebo ser comum entre os perfumistas indies, de modo geral, e entre os brasileiros, especificamente, trabalhar com fragrâncias mais opulentas, pesadas, com formulação extrait ou eau de parfum. Você seguiu por um outro caminho, o das eaux de cologne. O que o levou a trilhar um segmento divergente do que parece ser senso comum entre os perfumistas independentes?
Basicamente, eu sou do contra, sempre fui (risos)! Não, a verdade é que a minha predileção é por notas mais opulentas e/ou tidas comumente como exóticas, mas quando se tem uma marca e ela é mais do que um espaço para se extravasar a criatividade e perpassa a ideia de hobby, há que se pensar racionalmente no que funciona no mercado. E que se diga que isso, nem de longe, significa que eu me curve diante do senso comum imposto pelas grandes indústrias do segmento. Mantenho firme minha assinatura nas formulações, no direcionamento olfativo dos cosméticos e na estrutura das colônias. Apenas tento não sobrepor meus possíveis devaneios de criação ao gosto de quem me compra. É uma equação sensível entre ego do criador, expectativa do consumidor, propósitos da empresa, e planos pro futuro (e eu tenho vários…)!

Até agora (dezembro/2017), foram três as águas de colônias, Male 01, Copacabana Nuit, e a recém-lançada, Ibirocai. Conte brevemente sobre elas; e também da sua decisão por trabalhar com, pelo menos, o dobro do percentual de essência geralmente utilizado pelo mercado de colônias.
A decisão de seguir a receita tradicional das colônias e dobrar a concentração, se deu, basicamente, porque eu acho mais adequado – dadas questões climáticas e de umidade do ar no Brasil –, porque priorizo sempre a qualidade, e porque acho mais honesto. Agora, contando um pouco sobre cada uma delas, a Male 01 foi a primeira a ser criada, obviamente, como sendo o cheiro da marca e pensada a partir de clássicos da perfumaria mundial como a icônica colônia 4711, a Farina 1709 e o Dior Eau Savage. É, como bem define o meu amigo e mestre Dênis Pagani, “uma camisa branca… todo homem deve ter!”. A Copacabana Nuit veio a seguir, na coleção Mario de Janeiro Testino, inspirada no livro de mesmo nome, e homenageando o olhar do fotógrafo peruano Mario Testino sobre a exuberância e a sensualidade do Rio de Janeiro. É uma ode a esse mistério e a esse clima, meio sem nome, que paira no ar dessa indizível cidade, assim que o sol vai baixando, no Arpoador, e as luzes da orla se acendem. E na recém-lançada Ibirocai, eu busquei recursos criativos na minha memória olfativa, nos cheiros que eu sentia na minha infância, vivida no Pampa, na cultura gaúcha, que une o Rio Grande do Sul, o Uruguai e a Argentina, nos homens da minha família, e, sobretudo, na minha lembrança do cheiro que o meu pai tinha. É um cheiro de saudade.

Tenho comigo que perfume é, antes de mais nada, memória olfativa. Pelo o que eu pude perceber das suas criações, você não apenas compartilha dessa visão como, por assim dizer, persegue esse conceito e, sobretudo, dá importância às suas raízes familiares e regionais. É isso mesmo?
Exatamente… persigo esse conceito porque sei que um cheiro conta, melhor que ninguém ou melhor do que qualquer coisa – talvez a música esteja no mesmo nível – uma história. Eu poderia contar (a história de) todos os meus 35 anos usando perfumes para balizar a narrativa; e é por ter tanto respeito ao poder do olfato que eu trabalho com tanto comprometimento. Eu dedico muito tempo da minha vida pra montar aquele acorde e ajudar as pessoas a contarem suas histórias. E isso é muito sério. Pra elas e pra mim.

E há novidades a caminho; quando teremos novas fragrâncias?
Acho que lá no início de fevereiro (de 2018)….”porque mistério sempre há de pintar por aí”. Fica a dica! Hahaha.

E, pra finalizar, na pirâmide olfativa da vida, que nota é você?
Que nota eu sou? Poderia ser vetiver, que é sempre um tiro no meu coração. Poderia ser a lavanda, limpa e sempre aconchegante; poderia ser algo quente, como o âmbar que me encanta. Mas não é. Minha nota é incenso, sou apaixonado. Eu seria um frankincense e o motivo eu não conto 🙂

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